Caminho para novos tratamentos contra o cancro: Nanopartícula metálica criada em Portugal

A equipa de investigadores da Universidade de Aveiro constituída por Robert Pullar, David Tobaldi, João Amaral, João Labrincha e Mohamed Karmaoui, desenvolveu uma nanopartícula bimetálica, cujo tamanho e propriedades magnéticas melhoram a eficiência. Sendo constituída por cobalto e platina, possuí um diâmetro 50 mil vezes mais pequeno do que o diâmetro de um fio de cabelo, menos de dois nanómetros (2*10-9 metros). Devido ao tamanho e a estas propriedades de alta coercitividade magnéticas únicas demonstra maior eficácia que as nanopartículas que são actualmente usadas em memórias de armazenamento e computação magnética, exames de ressonância magnética e outros usos como biomedicina ou novas tecnologias. Esta nanopartícula bimetálica apresenta magnetização apenas na presença de um campo magnético externo e possuí a particularidade de, elas própria, aumentar a magnetização.

Na utilização de nanopartículas magnéticas em ressonância magnética, estas servem de agente para contraste nas imagens. Assim, e da mesma forma, quanto mais magnéticas e pequenas forem as nanopartículas, maior contraste e melhor resolução espacial se obtém com o exame. Já no armazenamento de informação, quanto menor for o tamanho das nanopartículas utilizadas num disco rígido magnético, maior será a densidade de informação, pelo que se perspectiva que a indústria informática poderá vir a oferecer computadores com muito mais memória disponível, sem necessidade de aumentar o volume das máquinas.

Assim, o reduzido tamanho desta nanopartícula bimetálica é uma vantagem na terapia oncológica através da hipertermia magnética, uma técnica que conduz as nanopartículas pelo organismo até aos tumores, e cujo aquecimento por indução magnética destrói as células malignas. Daí, que quanto menor e mais magnética for a partícula, melhor poderá ser levada até ao alvo e mais termicamente eficaz poderá ser.

Desta forma, abrimos o caminho para diagnósticos e terapêuticas de maior exactidão.

Fonte: Sapo Online, artigo escrito a 24 de Outubro de 2016